Borboleta

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quarta-feira, 6 de abril de 2016


CADERNOS DE ABRIL DE 2016 – CRÔNICAS DA ASCENSÃO
Crônicas dos Melquisedeques – O Masculino Sagrado


Eu sou Sri Aurobindo.
Irmãos e irmãs encarnados, comunguemos, junto, primeiramente, no azul celeste do Éter.


…Silêncio…


Eu vim para vocês, hoje, para partilhar com vocês certo número de elementos concernentes ao Fogo do Amor, tal como eu tentei descrevê-los, em numerosos poemas e em numerosos textos, quando de minha encarnação.


O Fogo do Amor, o Fogo do Coração preenche tudo.
Ele não deixa mais espaço para outra coisa que não o Amor.
O Fogo do Amor nada mais é do que uma alegria sem suporte, sem objeto e sem causa, que nasce por si mesma e que se mantém, ela mesma, no peito, no Coração do Coração.
No momento em que se vive o Choque da humanidade, não há mais do que duas possibilidades, em definitivo: consumir-se na alegria do Amor e de seu Fogo ou permanecer encolhido no medo.


O Fogo do Amor é uma alegria inextinguível que não para, jamais, que lhe dá, sempre, ainda mais sede e, no entanto, apazigua todas as sedes.
No Fogo do Amor não existe lugar algum para a divisão ou para a exclusão.
Inúmeros de vocês, irmãos e irmãs, que não descobriram, ainda, esse Fogo do Amor, vão vivê-lo.
Nesse espaço e nesse momento, não pode mais existir a mínima relutância ou o mínimo obstáculo a esse Fogo devorador, que põe fim a todas as ilusões e a toda projeção, em qualquer esfera que seja.
Nessa última morada não pode persistir o mínimo erro, a mínima dúvida, a mínima interrogação.
A evidência do Amor transcende, completamente, os limites da pessoa, o próprio sentido de outra coisa que não o Amor.


Esse amor é Liberdade, e vocês sabem disso, ele não depende de qualquer circunstância, de qualquer evento mesmo.
E, no entanto, quando do Choque da humanidade, que representa um evento considerável, numerosos são aqueles de vocês, irmãos e irmãs humanos, que verão a vida, seu mundo, com um olho novo, liberando, assim, todos os véus da ilusão.


A hora é para o Amor, a hora é para essa alegria que nada mais busca do que ser ela mesma e crescer, sempre, até o infinito e até o indefinido do Absoluto.
O Amor é nutrição.
O Fogo do Amor sustenta-os e põe fim a errância e a toda luta.
É a rendição total da história da pessoa, da história humana, que dissolve, assim, todas as aparências, todas as crenças e todos os desejos, porque não pode existir o mínimo desejo no Fogo do Amor.
Ele nutre cada interstício do corpo de carne, como de todos os envelopes.


Inúmeros de vocês, agora e já, pressentem o que vai desenrolar-se.
Daí decorre seu próprio Face a Face e, talvez, seus últimos lutos, que põem na luz seus últimos apegos, seus últimos medos.
Não olhem o medo, olhem a Alegria e olhem esse Fogo, que dança em seu peito.
Deixe esse Fogo tomar todo o lugar, o que revela sua natureza ígnea, o Espírito Um.
O Amor e a Luz apenas podem ser Alegria e Paz.
Esse amor não conhece qualquer limite.
Assim é o Fogo do Amor.


Foi-lhes repetido, muito tempo, que cada coisa estava, doravante, em seu exato lugar, e que não há melhor lugar para cada um de vocês para deixar o Fogo do Amor investir e tornar-se a realidade de seu ser.
Quaisquer que sejam as dificuldades ou quaisquer que sejam as facilidades, seu reconforto e a ampliação de sua alegria não poderão mais ser encontrados no exterior, mas poderão provir apenas do interior.


O Fogo do Espírito põe fim à opacidade e reforça sua clareza, mesmo se ela esteja, para alguns de vocês, tingida, ainda, de apreensões, o que faz com que sua consciência limitada agarre-se à existente, aos desvios passados que ressurgem, por vezes, de maneira inesperada.
Olhem isso, não para interessar-se, mas para ver o Fogo do Amor pôr fim, na graça e na elegância, às desordens da pessoa.


O Fogo do Coração é o coração da Fonte, o lugar da aliança, que jamais foi rompida.
Aí está o pão de Vida, o pão de Verdade.
No Fogo do Amor não há mais vida nem morte, nem nascimento nem falecimento, há apenas o instante, que é Eternidade.
A cada olhar, a cada sopro, a cada sonho, do mais ínfimo dos átomos às dimensões as mais elevadas, não há mais diferença.
O Fogo do Amor desagrega tudo o que resiste, e varre o que deve sê-lo, para restituí-los a vocês mesmos.


A fusão dos Éteres, de que eu havia falado há numerosos anos, atualiza-se, hoje, em vocês, através do desaparecimento, da dissolução do efêmero e da revelação de seu corpo de glória, o corpo sem costura, o corpo imortal lavado no sangue do cordeiro, o que faz de vocês nascidos de novo.
Aquele que é renascido não pode mais ser enganado nem enganar-se por qualquer ilusão que seja, por que o Amor em seu Fogo é o Caminho, a Verdade e a Vida.


A cada instante novo, cada instante renovado nas primícias que vocês vivem há, sempre, esse apelo do Amor e para ouvi-lo, no mais profundo de seu peito, há circunstâncias preliminares.
Tudo isso lhes foi explicado: a humildade, a simplicidade, o silêncio interior, a espontaneidade, o movimento e a imobilidade.


Numerosas portas abrem-se.
São as últimas Portas que se ativam nesse corpo perecível e, entretanto, sempre testemunho do deus vivo, que não é outro que não vocês.
Como vocês sabem, nós intervimos, durante este período, cada um por seu turno, para inúmeros Melquisedeques, para ajustar e aperfeiçoar o que lhes parece, ainda, haver a aperfeiçoar e a ajustar.


O Fogo do Amor não demanda qualquer esforço.
A Alegria não demanda qualquer esforço.
Há, simplesmente, que dizer «sim».
«Sim» a Cristo, «sim» à Vida, sem limite e sem condição e sem restrição.
É claro, hoje, minhas palavras colocam-se diferentemente em vocês, porque a Graça e o Espírito do Sol regem nossos reencontros e nosso Fogo de Amor comum.
A Luz convida-os à vida, sua vida aqui mesmo e aqui embaixo convida-os, também, à verdadeira Vida no Único, na Eternidade.


A Luz torna-os livres, se vocês aceitam a Liberdade.
Na alegria do Fogo do Amor não pode mais existir a mínima oposição ou o mínimo antagonismo entre vocês e a verdadeira Vida.
Tudo, então, torna-se pretexto para a Alegria e para a verdade do Amor, qualquer que seja o preço disso, nesse corpo ou nessa alma.


Vocês são, todos, convidados ao banquete celeste, não há qualquer exclusão e qualquer condição.
Isso cabe apenas a vocês, e caberá, cada vez mais, evidentemente, apenas a vocês, na solidão de seu coração, na solidão de sua pessoa, o que os leva, sempre, ao essencial, quaisquer que sejam seus reencontros e quaisquer que sejam seus contatos na natureza ou entre seu mundo e nosso mundo.


No Fogo do Amor e na alegria do Amor nada há a demonstrar, nada há a dizer e, no entanto, tudo pode ser dito.
Há apenas o canto e a dança da Vida que se exprimem por seu corpo, por seus olhos, por sua boca, mas, antes de tudo, por seu coração.
Nada pode parar isso, nenhuma vontade, nenhum astro, nenhuma lei, nenhuma moral, o que os põe a nu, e é assim, posto a nu, que vocês reencontram a Essência.
Então, o fogo de alegria cresce, a alegria pode aparecer ao mesmo tempo em que o Silêncio.
A vida inteira torna-se oração e meditação, quaisquer que sejam as circunstâncias estrondosas do Choque da humanidade.
Tudo o que lhes foi dito, durante esses anos, como ancoradores de Luz e semeadores de Luz, trouxe-os até esse ponto.
Não há progressão nem recaída, há, simplesmente, desaparecimento do que obstruía e que impedia de vivê-lo.


O Fogo do Amor dá-lhes a inocência da Infância, na qual tudo é espontâneo, na qual tudo é claro.
Vai aparecer-lhes, cada vez mais claramente, que o tempo veio enfrentá-los, vocês mesmos, não em um combate, mas na solidão de seu ser, para romper as últimas dependências e deixar emergir a verdadeira Liberdade, aquela que não se acomoda com qualquer lei, com qualquer condição nem qualquer restrição.


Vocês e nós, os dignos filhos da Fonte, Fonte, nós mesmos, estamos juntos no mesmo Face a Face.
O último apelo, no entanto, já ecoou para inúmeros de vocês, o que lhes dá, por vezes, a viver o luto de sua própria pessoa em sua história passada e em seus medos futuros, o que os despoja de tudo o que não é vocês, de tudo o que não é verdadeiro.


O Amor-fonte é, efetivamente, fonte de tudo.
Não pode mais existir, então, ambivalência, escolha ou qualquer vontade de livre arbítrio.
Aí está sua verdadeira liberdade, aquela do Fogo que põe fim ao que é falso, e o que não está quente é reaquecido pela Vida.
As Portas que se abrem, e que são as últimas, dão-lhes a ver mesmo a ilusão dessas Portas e a ilusão desse corpo, como desse mundo.
Porque, naquele momento, vocês se tornam os faróis que acolhem, na mesma paz, tanto o amigo como o suposto inimigo.
No Amor, como eu disse, não há qualquer lugar para a divisão, para a oposição ou para a dúvida.
A dúvida pertence, de maneira irremediável, ao que nasceu um dia e que morre um dia, na sequência dessa vida aqui embaixo.


O Fogo do Amor chama-os a abrir-se e a deixar-se abrir, pelo perfume do Amor e as brasas da Alegria alimentadas, sem cessar, de um Fogo novo.
Talvez, vocês sintam as primícias do que vem e que já está aí.
Então, eu lhes digo, como Ele disse, há dois mil anos: «Paz, Paz a vocês. Paz no Amor, Paz na Alegria.».
Tudo provém daí, todo problema não pode persistir no Fogo da Alegria.


No azul celeste, sua visão torna-se afiada, ela se torna global, e engloba tudo com o mesmo Fogo de Amor e a mesma Alegria.
Nenhuma tristeza pode permanecer e instalar-se.
Nenhuma pessoa pode impedir isso, exceto vocês mesmos.
Acolham, acolham, no sentido profundo do sacrifício que vocês vivem, que os conduz ao sacro e ao sagrado.
Talvez, vocês sintam as primícias de que o momento veio depositar os últimos fardos, os últimos temores.
Para isso, vocês não têm, mesmo, que colocar, vocês mesmos, o que os obstrui, mas, simplesmente, deixar esse fogo de alegria agir livre e espontaneamente.


Como vocês sabem, também, a Ascensão desenrola-se, nesse momento mesmo, para alguns de vocês.
A própria Liberação começa a aparecer, apesar das dores aparentes desse parto, que nada são, porque qualquer que seja a densidade delas, essas aparências serão consumidas sem resíduos e sem lamentos pelo conjunto da humanidade, em qualquer evolução que seja, se é que alguns de vocês ou inúmeros de vocês tenham, ainda, necessidade da ideia de uma progressão, de uma melhoria, do que já é perfeito, no entanto, de toda a eternidade.


Em toda circunstância de sua vida, a alegria do Amor chama-os e chamará, cada vez mais, a apenas vê-la na única ação possível do Fogo do Amor, e vocês se reencontram, assim, no Ilimitado do Espírito e no fogo de alegria do Amor.
A Luz desvenda-se, então, no exterior de vocês, em seu ambiente.
Qualquer que seja o obstáculo, qualquer que seja a dor, quaisquer que sejam as regras ou as leis, tudo isso é levado como simples palha, o que libera seus olhos e libera seu coração.
Não se trata, simplesmente, de confiança, não se trata, simplesmente, de fé, mesmo a mais sagrada, mas, sim, a evidência do que há a viver, quaisquer que sejam a agitação e o tumulto do mundo, que lhes dá a ver onde está o Verdadeiro e onde está a Verdade que não pode existir em qualquer limite, como em qualquer experiência, o que põe fim ao jogo da própria experiência, na qual todos os movimentos são vistos e, no entanto, na qual há a imobilidade na dança do Silêncio.


Essa abertura representa o que foi nomeado o masculino sagrado, aquele que não se cortou do feminino sagrado, da co-criação consciente.
O Fogo do Amor e essa Alegria sem fim são reconhecidos para ser o que vocês são, o que põe fim a todo sofrimento como a toda dúvida, mas, também, de maneira indelével, a toda ilusão, o que atualiza, então, o Juramento e a Promessa na Graça infinita do Manto Azul de Maria.


Cada um de vocês tem o mesmo presente, mesmo e, sobretudo, se vocês creem estar longe ou indignos disso.
Então, eu lhes digo: «Relaxem o que pode estar, ainda, tenso; soltem tudo a que vocês seguram, não para perdê-lo, mas, sim, para iluminá-lo e fazê-lo participar do Fogo devorador do Amor.».
Sem querer e sem decidi-lo, sem implicação, simplesmente, porque essa é a evidência da Graça, o Fogo do Amor vem colhê-los e vem forjar o corpo de Eternidade.


Cada dia que passa, em termos terrestres, confortará vocês, qualquer que seja a violência ou a paz, na inevitabilidade do que já está aí e que demanda apenas manifestar-se em cada um de vocês.
O Fogo do Amor repõe em ordem a lei do Um e a lei de Graça, aí está a Liberdade.
Qualquer outra liberdade é vã, qualquer outra posse perde-os.
No Amor, não pode haver perda, nem mesmo possibilidade de perder-se.


O masculino sagrado é o desvendamento dessa potência, desse inexorável e desse Infinito em ação, cada vez mais vasto nesse mundo, que se apoia na suavidade e na força do feminino sagrado, que trabalha, então, em concerto, na co-criação consciente, livre de qualquer entrave e de qualquer condição.


No ser, nada mais há a fazer ou a acreditar fazer.
No ser, há apenas o ser, esse Fogo do Amor devorador, essa Alegria que não pode interromper-se e que parece, mesmo, aumentar, a cada dia, a cada sopro e a cada olhar.
Os profetas de todos os tempos sempre alertaram sobre a futilidade e avisaram-nos sobre o julgamento, que não é outro que não o Fogo do Amor, que vem dissolver o que não é reconhecido na Graça da Vida.
O Fogo do Amor vem batizá-los e colhê-los, em diferentes ocasiões e de diferentes maneiras.
Não percam de vista que o que quer que se desenrole, tudo isso é apenas transitório e que, no final, talvez, do que vocês chamam, ainda, um túnel, há a Verdade.


A única distância existente entre vocês e o Fogo do Amor é apenas a distância que vocês creem ver e que é apenas uma construção de quimera.
O tempo chegou de deixar o Amor iluminar tudo e queimar, inteiramente, o que pode persistir, porque privado de Amor ou de um amor condicionado que estaria mascarado.
Em seu Coração do Coração o Apocalipse entrega-se e entrega-lhes, em qualquer aparência que seja, mesmo aparentemente contrária ao Fogo do Amor.
Todo atrito é apenas um momento preliminar ao abrasamento, toda desordem é apenas uma ilusão do efêmero, que não pode entravar, que não pode resistir ao irresistível fogo de alegria de que vocês são.


A majestade da vida nesse mundo, como da vida invisível, aparece-lhes, cada vez mais, cada um ao seu modo, mas para a mesma obra e o mesmo fim, que é apenas o fim das ilusões e o fim do que não dura, o que restaura, para cada um, a Eternidade e a imortalidade do Espírito, porque vocês jamais nasceram e não morrem, portanto, jamais, porque todas as vidas pertencem, nesse mundo, aoSamsara, à Ilusão, ao corpo de desejo, desejo que não pode ser, jamais, preenchido de maneira definitiva, vocês todos sabem disso.
Nós todos o vimos e vivemos.


A agitação do mundo engaja-os a atualizar e a manifestar seu masculino sagrado, seja na paz, seja na desordem, conforme a harmonia de sua parte feminina e de sua parte masculina.
Enquanto canta, já, para muitos de vocês, o canto da Liberdade, em seus ouvidos ou em um de seus ouvidos, na hora em que se desvendam os povos invisíveis, há apenas que repousar.
O que quer que vocês tenham a fazer, o Amor repousa-o e a Alegria alimenta sua vida, mesmo da pessoa, mesmo do efêmero, ainda, por um tempo.
Mas o abrasamento do Amor porá fim, também, a isso, com leveza, com evidência, e sem ter necessidade de chorar, de algum modo, qualquer perda que seja, porque não houve, jamais, perda, havia apenas a ideia e o pensamento da perda.
Porque, no Amor, nenhum amor pode ser perdido, nem mesmo negligenciado; porque, no Amor, nada pode ser imperfeito e nada pode ser escondido.


Lembre-se, irmão ou irmã, lembre-se, agora, do Amor que você é.
Lembre-se do Alfa e do Ômega, aqui e agora.
Acolha e recolha o dom da Vida e o dom da Graça, o dom do Amor em um Fogo que queima de ardor e de Luz.
Escute, no silêncio, a criança recém-nascida.
O azul celeste da Verdade é um bálsamo que vem colocar-se em sua eternidade e em seu efêmero.
Hoje, não ouça, unicamente, as minhas palavras, não ouça, unicamente, o sentido de minhas frases.
Vá além, ainda mais profundamente, ao centro de seu coração.
Ele o espera, já, como você se espera também.
Nada lamente, porque o lamento é peso, enquanto o Amor é leveza.


Acolha e, sobretudo, aceite o que você é.
O Fogo do Amor e o Fogo da Alegria reanimam, em você, a chama perpétua que ilumina toda consciência, como todo mundo.
Assim, cada sopro de seus dias preenche-se do Amor da núpcia alquímica.
Assim, a Alegria cresce e emerge, mesmo em sua pessoa, tal o orvalho que se deposita sobre as folhas.
Vire-se, inteiramente, e abrace o que você é.
Ao realizar isso, nenhuma ferida pode subsistir ou aumentar.


Nós, Melquisedeques, em nosso conjunto de manifestação em vocês, nesses dias, portamos, até o Templo de seu coração, a suavidade do masculino sagrado, no qual nenhuma autoridade pode restringir quem quer que seja, mas, simplesmente, depositar o presente da Vida, tal uma oferenda de verdade, uma oferenda de alegria.
Então, nós viemos dizer-lhe, em nosso masculino sagrado: «Lembre-se, e esqueça-se do que faz apenas passar; lembre-se de você, antes de seu nascimento e de seu aparecimento nesse mundo.».


Você, ao escutar-me, ao ler as minhas palavras, não se apegue à lógica ou à razão, mas, bem mais, à evidência do Amor, que não conhece razão nem lógica, porque ela é, ela mesma, a razão e a lógica.
O Choque da humanidade leva-o a depositar o que você considera, ainda, talvez, como fardo e como peso.
O masculino sagrado é tão suave quanto o feminino sagrado.
A única diferença tem-se no sentido e na polaridade da direção do Amor.
Nada mais os diferencia, e isso se vive no fogo de alegria do Amor e em nenhum outro lugar, o que o faz, assim, esquecer-se de todo reflexo de predação ou de sobrevivência, de medo ou de dúvida.


Lembre-se, supere tudo: Portas, Estrelas, Coroas radiantes como Onda de Vida.
Torne-se permeável à Graça e à Alegria.
Deixe-se consumir e abrasar pelo fogo de alegria do Amor revelado, inteiramente.


Permita-me voltar a depositar em você a bênção do Único, abençoando-o, assim, a si mesmo, no sacro do Amor.


Levante-se e saia do túmulo, do confinamento.
Eleve-se, soltando todo peso.
Assim é o fogo de alegria do Amor.
Assim é a manifestação do masculino sagrado.


Então, minhas palavras apagam-se por si mesmas, diante da evidência de sua Presença.
O Espírito do Sol guia as minhas palavras, como ele guia a sua Presença e nossa comunhão.
De nada mais há necessidade, porque tudo está aí.
Nada pode faltar.
Veja-o e viva-o, é sua liberdade e é sua verdade.
E eu o abençoo, então, pela terceira vez, como profeta bem amado Daquele que foi, que é e que será, além de todo mundo e de toda dimensão.
Ame-se além de sua pessoa e além de todo limite que possa parecer-lhe, ainda, aparecer.
O fogo de alegria do Amor ocupa-se de tudo, contente-se em vivê-lo e viva a Graça abundante do dom do Amor.


Eu sou Sri Aurobindo, eu sou João, o bem amado, e eu sou você, porque nada mais pode ser separado no Choque da humanidade.
Eu ponho fim, agora, não à minha presença, mas às minhas palavras, para voltar à minha morada, no Silêncio da Eternidade de seu coração.


Eu o abraço e eu o amo, e vou deixar, agora, o meu lugar ao próximo Melquisedeque.

Até breve.


Tradução Célia G.: http://leiturasdaluz.blogspot.com.br/2016/04/sri-aurobindo-o-fogo-do-amor.html



CADERNOS DE ABRIL DE 2016 – CRÔNICAS DA ASCENSÃO
Crônicas dos Melquisedeques – O Masculino Sagrado


Eu os saúdo, irmãs e irmãos na encarnação.
Eu também, obviamente, conheci a encarnação, e minha última vida foi guiada pelo fato de dar-lhes, através de inumeráveis conferências, dados desconhecidos do que foi chamado o hermetismo cristão; mas pouco importa, hoje, isso.
Eu aceitei exprimir-me entre vocês, nestes tempos da Terra, não para transmitir ensinamentos ou histórias concernentes à Terra, mas para chamar sua atenção no que se joga, hoje, sobre seu posicionamento na vida.
Eu voltarei apenas a um elemento de minha última vida: eu passei meu tempo a desvendar, através de símbolos e da história, o combate incessante que se realizava entre o bem e o mal – eu deixei, mesmo, a minha vida.
Hoje, no que vocês vivem e no que têm a viver neste período, o bem e o mal, de algum modo, jamais foram tão aparentes e evidentes.


Eu venho tentar fazê-los apreender o que pode representar, hoje, a armadilha do bem e do mal.
Isso parte de uma constatação muito simples, constatação que é exacerbada hoje, trata-se, justamente, do bem e do mal.
Em sua sede de verdade, em sua vibração e em sua consciência, foram-lhes comunicados, durante todos esses anos, inúmeros elementos históricos e anteriores à era cristã, concernentes ao confinamento da Terra, a ruptura com a Verdade.
A busca do bem, a busca do Amor foi um objetivo espiritual fundamental, em todas as tradições, mas isso não lhes permitirá, jamais, superar a última camada do confinamento, o que significa dizer, como lhes foi longamente explicado em todos esses anos, que nem o bem nem o mal permitirão a vocês sair da ilusão desse mundo.


O bem não deve ser perseguido como um ideal ou como um modo de melhorar sua sorte ou esse mundo, mesmo estando bem consciente de que, nas circunstâncias até recentemente desse mundo, o mais importante, é claro, era o bem.
Ora, como vocês constatam, hoje, na Terra, quanto mais a Liberação cumpre sua obra, mais o que foi nomeado o mal parece mais intenso.
Há, portanto, uma forma de expansão do coração, que dá acesso ao belo, ao bem e ao Amor, que se acompanha, como vocês o veem, de maneira coletiva, de coisas que aparecem na tela de sua consciência, cada vez mais fortes, tanto no mal como no bem.


Lembrem-se de que eu perdi a vida porque, como alguns ensinamentos orientais dizem-nos, não se resolve o problema do mal lutando contra o mal, mas fazendo crescer o bem, e nenhum bem pode opor-se ao mal.
O bem cresce por si só, pondo fim ao mal.
Hoje, quando o conjunto do que lhes foi escondido – pelo processo vivo do Apocalipse – revela-se cada dia um pouco mais, pode ser muito tentador entrar na reação, na luta ou no combate contra o que os confinou, tanto em suas crenças como na história do mundo.


As estratégias aplicadas, até hoje, no plano de Liberação da Terra, é, certamente, o processo que deu, no conjunto de sistemas solares confinados, o máximo de resultados, e isso através da visão do que é bem e do que é mal, tanto em vocês como em seu exterior, mas, sobretudo, superando toda dualidade presente na superfície desse mundo, não lutando contra, não se opondo a ela, mas, bem mais, deixando crescer a Luz e o Amor.


Nesses tempos conturbados de Revelação, que se abriram a vocês neste ano, concernentes a vocês, a título individual como de modo coletivo – e, talvez, mais do que anteriormente – a Luz e sua Inteligência pede-lhes, pela ação de Graça e o estado de Graça, para deixar crescer a Luz.
Para isso há, talvez, que reconfigurar, se posso dizer, tanto suas concepções como suas percepções concernentes ao bem e ao mal.
O bem e o mal são a expressão inevitável de um mundo de terceira dimensão dissociada, e esse jogo, como vocês sabem, é sem fim, porque tudo a que vocês vão opor-se, mesmo na verdade de Cristo presente em vocês, vai reforçar-se nas reações habituais desse mundo, sobretudo, nesta fase específica.


Eu venho, portanto, convidá-los a não reproduzir, de qualquer forma, os erros passados, não, necessariamente, os seus, mas os erros passados da humanidade.
O bem não combate, jamais, o mal, caso contrário, ele reforça o mal, o bem se desvenda por si só, pelas condições específicas da Terra e de seu estado de ser nesse momento.
É claro, a Inteligência e a iluminação da Luz vão dar-lhes a ver, cada vez mais precisamente, tanto seus desvios como os desvios da sociedade e de cada irmão e irmã que possam, ainda, existir, adormecidos, despertos ou liberados.


Isso não é um combate, isso é, bem mais, uma rendição da fatuidade desse combate bem-mal que, em definitivo, apenas permitirá à dualidade, sempre, manifestar-se.
Como lhes foi longamente ensinado pelo Arcanjo Anael, durante o ano das Núpcias Celestes, a Unidade não pode resultar da dualidade.
A Unidade pode ser vivida interiormente, mas não poderá, jamais, aparecer, inteiramente, como regra de vida, como regra social, como regra de experiência em um mundo nomeado dissociado, porque não há qualquer capacidade para ver além do jogo, mesmo na consciência a mais pura, e que vocês têm, certamente, a oportunidade, em sua vida, durante esses anos escoados, de constatar, por si mesmos, os resultados de tal luta, que fará apenas reforçar o mental, reforçar a agitação e afastá-los do silêncio de que acaba de falar-lhes Mestre RAM.


O bem não será, jamais, a oposição ao mal, mas o bem se impõe como evidência que faz crescer o bem; fazê-lo crescer não quer dizer agir em um sentido ou no outro, mas, bem mais, estar disponível para a Luz.
As circunstâncias do início do século XX são profundamente diferentes das experiências do início do século XXI, mesmo se o que é dado a ver pareça ser a imersão da humanidade na idade sombria, nomeada por nossos irmãos orientais oKali Yuga.
O que vocês vivem são apenas as últimas convulsões da dualidade em agonia, tanto em vocês como em toda estrutura social, como em toda interação nesse mundo.


Cristo disse: «Deixe os mortos enterrarem os mortos e siga-me.».
Ele disse, também: «Vocês estão prontos a tudo perder?».
É o que vem perguntar-lhes a Luz, hoje.
Vocês aceitam o sacrifício – e, isso, no sentido o mais nobre e o mais elevado – de sua vida aqui embaixo, para sua vida eterna?
Aí está, de algum modo, o único combate que se vive atualmente.
Ele não está nas guerras e conflitos que vocês veem, mas ele se joga em vocês e nada mais pede do que sua rendição e seu sacrifício.
Quer vocês o nomeiem Cristo, a Luz ou a Fonte, ou pelo nome de um Arcanjo, nada muda.
Apenas quando vocês se deram, inteiramente, é que tudo lhes é dado.
Enquanto vocês contam o que dão, a Luz não pode ser inteira.
Os tempos atuais da Terra chamam-nos, certamente, a ver, por toda a parte, o que parece ser esse combate entre as forças arcaicas de predação residuais – existentes em cada um de nós, quando estamos encarnados – e o novo.
Esse novo, vocês sabem, foi nomeado o Desconhecido, porque corresponde a nada de similar ou de sobreponível com a vida nesse mundo.


Como vocês sabem, ou como o percebem, ou, talvez, vivam-no, o ego, a pessoa não pode, jamais, aceitar sua própria morte, porque haverá, sempre, de maneira condicionada na dualidade, o reflexo de sobrevivência, o reflexo de perpetuação da espécie com um sonho de melhoria, de um mundo melhor.
Eu suponho que vocês são extremamente numerosos e cada vez mais numerosos a ver a futilidade dessa diligência espiritual e sua utopia.
Não há outra saída que não o coração.
Todo conhecimento, mesmo o mais abrangente que seja, como lhes explicitou, aí também, longamente, o Arcanjo Jofiel, antes das Núpcias Celestes, encontra-se, hoje, caduco e, eu diria, mesmo, risível para aquele que vê claramente e que não está mais inscrito, portanto, em uma pessoa ou em uma história.
O mais difícil, para os irmãos e as irmãs que estão em uma diligência espiritual – que eu colocaria entre aspas – há muito tempo.


É-lhes dado, também, a viver momentos de Amor que nada pode explicar, nem em sua causalidade nem em sua finalidade.
É a espontaneidade da Graça que lhes é dada a viver, com diferentes amplitudes, em diferentes frequências, mas a chave está aí, não há outra; é a famosa Porta Estreita.
É, também, a vinda Daquele que virá como um ladrão na noite e que vocês vivem, para um número sempre maior de vocês, como seu desaparecimento ou seu Amor, que lhes cai por cima, independentemente de qualquer sujeito, de qualquer objeto e de qualquer causa.
Aí está a verdade, não há outra.


Tudo o que pode ser explicado, tudo o que pode ser compreendido, tudo o que pode ser sabido, tudo o que pode ser conhecido nada tem a ver com a Luz, se não é uma luz desviada, nomeada o princípio Luciferiano.
A missão do Arcanjo Miguel, que é, agora, concluída, foi de permitir à pureza do princípio Crístico emergir de vocês, que vem de vocês, que os despoja dos últimos véus, das últimas ilusões, das últimas crenças.


Na última batalha do Apocalipse, que se joga tanto em seu corpo como na superfície desse mundo – chamada, na Bíblia, a batalha de Megido ou «de todos contra todos» - vocês serão chamados pela Luz como pela sociedade, como pelo que pode restar, em vocês, de resistências ou de bloqueios, a participar, de uma maneira ou de outra, desse conflito, que se desenrola, ainda uma vez, no interior de si mesmos, como é o caso no Face a Face, em sua fase final, como é o caso nas nações do mundo.


É nesse combate que inúmeros de vocês descobrirão a futilidade e a inutilidade, mesmo, desse combate.
Vocês não podem e não poderão, evidentemente, cada vez menos, superar esse combate.
O ganhar ou o perder, de fato, para nada serviria enquanto vocês não tenham se encontrado no Coração do Coração em sua eternidade.
E, ao encontrar-se no silêncio interior, na espontaneidade, na humildade, na simplicidade, na Nova Eucaristia, aparecer-lhes-á, claramente, a futilidade, a inutilidade e, eu diria mesmo, o lado destruidor desses combates para o bem, ou para o mal, que são apenas dois lados de uma mesma moeda chamada ilusão.


As circunstâncias da Luz na superfície desse mundo, em plena revelação, vão induzir, de maneira brutal em vocês, a atualização do que resta a iluminar.
Guardem presente no espírito que vocês não podem lutar contra si mesmos, ou seja, contra qualquer de seus irmãos e irmãs, mesmo em um comportamento que vocês poderiam qualificar de mais oposto à Luz, ou de mais abjeto, vocês podem apenas englobá-lo, apenas amá-lo.
Esse é o único modo verídico de ser o bem sem pensar no mal, porque todo mal – visto – apenas pode estar presente em vocês porque ele é visto no exterior.


As forças de confinamento do princípio Luciferiano abusaram, amplamente, desse jogo de papéis.
Ele já lhes aparece, para muitos de vocês, no interior de si mesmos, entre seus pensamentos contraditórios, seus comportamentos, por vezes, opostos, nas dúvidas, nas raivas ou nos medos que possam, ainda, inscrever-se e manifestar-se.
Mas eles se inscreverão, de maneira indelével, no coletivo da humanidade; vocês sabem, o bem amado João – ou Sri Aurobindo – falou-lhes, longamente, do Choque da humanidade.
Eu remeto isso em sua consciência à ordem do dia, porque onde quer que vocês estejam é o que se joga por toda a parte ao seu redor como por toda a parte em vocês.


Esse último combate de todos contra todos, a batalha de Gogue e Magogue, é apenas uma ilusão a mais na qual só sua benevolência e a Luz emanada de seu coração, aquela que você tem recebido do alto, de baixo, de toda parte durante esses anos, vai tornar-se maior e ocupar, eu diria, a consciência coletiva da humanidade.


Paralelamente a isso, a Luz, no mais alto dos céus, desceu até vocês.
Vocês terão, portanto, a faculdade de viver os dois arquétipos dos mundos confinados, do bem e do mal: o princípio Crístico ou Micaélico e o princípio que eu nomeei Luciferiano ou Arimaniano.
Compreenda, efetivamente, que a cena de teatro está, antes de tudo, em vocês, antes de ser manifestada, coletivamente, por toda a parte.
Retenham, simplesmente, que qualquer que seja sua história e qualquer que seja a história do confinamento desse mundo, é um tempo no qual o perdão e o Amor é a única arma verdadeira e no qual todo o resto representa apenas sucedâneos de Liberdade e de lutas estéreis que mantêm – ou tentarão manter – um confinamento, o que, vocês sabem, é impossível ao nível coletivo.


Inúmeros marcadores foram-lhes comunicados, quer seja através de vibrações, quer seja através de discursos ou de experiências; apoiem-se neles, para atravessar o que cada um de vocês tem a atravessar.
Não se esqueçam de que o princípio Luciferiano – que nada mais tem a ver com o Arcanjo Lúcifer, mas o nome permaneceu – Arimaniano (o que eu prefiro, de longe), são forças de fossilização da vida que visam confinar a consciência no que eu nomeei, em meu tempo, a besta binária, ou seja, a informática, para transferir a consciência impressa em um corpo biológico a um corpo eletrônico.
Essa é a finalidade do mal, tal como ele se crê existente, tanto em vocês como por toda a parte.
É esse combate que se desenrola, mesmo sem seu conhecimento, e retenham que a chave é seu coração, não se opondo, não lutando, mas no sacrifício sagrado de todos os efêmeros da Terra.


É um momento no qual, parafraseando Cristo, eu posso dizer: «Busquem o Reino dos Céus que está dentro de si, porque vocês estão nesse mundo, mas não são desse mundo» e, aliás, vocês não são de qualquer mundo, porque além do que foi nomeado de suas origens estelares e de suas linhagens, há o Único e, além do Um, há o Zero ou o Absoluto.


Guardem presente no espírito que alguns arquétipos em fase de agonia sobre a Terra conhecem, perfeitamente, o jogo, seus prós e seus contras, para mantê-los nos jogos diversos e variados.
O Coração do Coração não tem necessidade de qualquer jogo nem de qualquer experiência, porque é a plenitude dele mesmo e a totalidade das experiências dele mesmo, o que não os priva de qualquer experiência na qual ela esteja situada, em qualquer Morada do Pai que seja.


O que eu vim exprimir hoje é para não deixá-los abusar ou desviar – pelas circunstâncias de sua pessoa, de sua vida ou desse mundo – do que vocês são em verdade.
O que vocês são, em verdade, vocês sabem –vocês o tenham, talvez, vivido – não pode ser referenciado a qualquer história, outra que não a uma lógica primária e binária bem-mal, zero-um ou dualidade.
Quaisquer que sejam suas experiências interiores deste período, quer ele lhes pareça progredir ou regredir, lembrem-se de que não há necessidade de qualquer progressão nem de qualquer regressão, que há apenas a ser o que vocês são, na humildade, na simplicidade, em muitos conceitos e palavras que lhes foram dados durante esses anos e, mais especificamente, durante esses meses escoados.


Esse é, portanto, um convite, além do alerta, para respeitar o que vocês são, no Coração do Coração.
Quaisquer que sejam as experiências que lhes foram dadas a viver na Luz ou na materialidade, elas tiveram, todas, sua utilidade para levá-los a esse ponto preciso dessa história falsificada.
E além de toda aparência, como além de todo sofrimento há apenas uma verdade, e ela não depende de ninguém – nem de história, nem de Arcanjos, nem de nós, Anciões, nem de Estrelas – porque vocês entram na fase final da relação, que é a relação entre você e você, você, no que você crê, no que você aparece, e você, no que você é, além de toda forma e de toda história.


Lembre-se disso nos momentos difíceis, tanto os seus como aqueles da Terra, porque, de fato, nada há de difícil além das aparências, e apenas o que pode restar de adesão a essas aparências pode provocar sofrimentos e resistências.
Eu posso apenas confirmar que o coração é de uma simplicidade infantil, que não tem necessidade de ser revestido de qualquer conhecimento ou de qualquer experiência, hoje, mais do que nunca, não mais na escala de alguns seres realizados, mas na escala de cada um.


Minhas palavras param agora.


Embora alguns de vocês tenham, talvez, me reconhecido, isso não tem importância alguma, porque o único reconhecimento verdadeiro é aquele do coração e todos os outros são ligados apenas a histórias pontuais.
Assim, aqui como alhures, vocês que estão lendo ou escutando o que eu disse, eu os saúdo, no silêncio interior e na beleza que vocês são.


Eu lhes agradeço por sua atenção e por sua presença.


… Silêncio…


Eu terminarei por essas algumas palavras: é claro, como humanos encarnados, vocês têm necessidade de nomear; então, eu me nomearei, se quiserem, por essas duas letras: SR, se devo voltar para vocês, deste modo ou de qualquer outro modo.
Não fiquem prisioneiros de títulos ou de nomes passados que nós usamos, uns e os outros.


Eu lhes aporto as minhas bênçãos.


… Silêncio…


Até logo.








CADERNOS DE ABRIL DE 2016 – CRÔNICAS DA ASCENSÃO
Crônicas dos Melquisedeques – O Masculino Sagrado



Eu sou RAM.
Permitam-me, irmãos e irmãs, saudá-los.
Eis-me, novamente, entre vocês, acompanhado do Espírito do Sol.
Comunguemos juntos, antes que eu me exprima sobre o Silêncio.


… Silêncio…


Como Melquisedeque, há numerosos anos – em outra época, antes da Liberação da Terra – eu vim exprimir entre vocês certo número de elementos concernentes a respiração e ao silêncio.
Eu vou, então, prosseguir, hoje, ajustando minhas palavras, meu discurso, às circunstâncias atuais de sua vida.
O silêncio de que vou falar-lhes hoje não é, simplesmente, o silêncio das palavras, mas, bem mais, o silêncio do efêmero em todos os seus componentes.


O mais importante, hoje, em seu Face a Face, apenas em face de si mesmo, o silêncio vai concorrer para estabelecer a espontaneidade.
Esse silêncio junta-se ao princípio da vacuidade e da plenitude porque, a partir do instante em que a pessoa que você é, presente nesse mundo, faz o silêncio do que é emitido nas estruturas efêmeras, é um elemento essencial no período que precede o Evento.


Encontrar o Silêncio permite fazer a paz consigo mesmo e deixa o Si e a Infinita Presença aparecerem em sua consciência.
Retenha, antes de tudo, que o Silêncio deve tornar-se evidência e facilidade.
É o silêncio não, unicamente, das palavras, não, unicamente, dos sentidos, mas, bem mais, o silêncio que acompanha a paz quando as emoções e o mental tenham-se calado.
O que eu falo hoje nada tem a ver com uma meditação ou um exercício, qualquer que seja.
O silêncio da pessoa vai permitir a manifestação a mais fácil da eternidade do Amor e da Luz, mesmo no interior de sua consciência comum.


O Silêncio é o elemento que vai permitir pôr fim à separação, no que lhe aparece como interior e como exterior, e deixa aparecer a revelação da Vida, em sua Inteligência e em sua beleza.
O silêncio interior não é a ausência de relação, mas, bem mais, a relação verdadeira e correta, que facilita, em você, a instalação definitiva do Amor e da Eternidade.
Esse silêncio assemelha-se ao recolhimento ou à oração do coração, essa oração do coração que nada mais quer do que a emergência do belo e do verdadeiro, do que a emergência do que faz apenas passar e que está aí, eternamente.


O Silêncio de que eu falo pode ser favorecido de diferentes maneiras.
Assim, portanto, eu me proponho a dar-lhe os elementos que vão concorrer para fazê-lo encontrar, se já não foi feito, o silêncio que acompanha e precede a emergência do masculino sagrado, o retorno, também, à androginia primordial, aquela que não conhece diferenciação, nem sexo, nem polaridade.


O Silêncio não é uma reflexão, nem um trabalho.
É um estado no qual a Evidência prevalece, a evidência da Luz e do Amor, além, mesmo, de qualquer percepção preliminar, quer seja ao nível dos sentidos ou dos mecanismos espirituais.
O Silêncio permite o acolhimento incondicional da verdade do Amor, do que vocês nomeiam, no Ocidente, Cristo.
O Silêncio pode aparecer em toda circunstância de suas vidas.
É o silêncio que é o testemunho da Paz e da Alegria.
Esse silêncio, eu volto a esclarecer, é interior.
Ele nada tem a ver com o silêncio das palavras ou o silêncio do olhar, é o silêncio da pessoa que se apaga dela mesma, na majestade da beleza e na majestade do Amor.


O Silêncio vai ajudá-los a transmutar os últimos elementos do fogo vital em Fogo vibral.
O Silêncio desemboca na espontaneidade, na clareza e na precisão, não do que é visto, mas, bem mais, na intensidade do que é vivido nesses momentos.


O Silêncio tem a capacidade, também, de fazer desaparecer a testemunha ou o observador.
O Silêncio permite ultrapassar os limites inerentes à história de sua pessoa e inerentes à sua condição.
O Silêncio facilita a revelação da Luz a partir do coração-centro, que vocês nomeiam o Coração do Coração.
No Silêncio, a respiração modifica-se, o ritmo cardíaco muda, o corpo relaxa.
Quando o silêncio interior instala-se, há perda dos marcadores habituais, tanto do posicionamento de seu corpo como do posicionamento de sua consciência.
Ela não é mais localizada nem no corpo, nem em uma parte do corpo, nem mesmo em um centro de energia.


A Morada de Paz Suprema, a Alegria, que precede a a-consciência, é, muito exatamente, o que já se produz em suas vidas, nos momentos de amor intenso ou nos momentos de desaparecimento.
Se você já o viveu ou se vai vivê-lo, você observou ou observará que, nesses momentos, não pode existir questão, não pode existir interrogação nem, mesmo, dúvida do que é vivido, tanto mais que o contraste é surpreendente entre o estado habitual de sua consciência e o estado do silêncio interior.


O Silêncio não é o apanágio de uma Estrela, de um Arcanjo ou de um Ancião, o Silêncio é inerente à Vida.
Do mesmo modo que a semente germina sob a terra, na alquimia de sua obra no escuro, o silêncio interior vai conduzi-los, neste período propício, a deixar emergir a manifestação tangível do Coração do Coração, de sua paz e da alegria do Amor.
O Silêncio não é a observação da observação, mas o desaparecimento do observador.
No desaparecimento do observador, a observação pode permanecer, mesmo se não haja ninguém para, realmente, observar.
O Silêncio, como eu disse, é, portanto, Evidência.
Evidência da Vida, evidência do Amor.


O silêncio interior é o momento no qual, além da cessação dos pensamentos, das emoções e da percepção do corpo, abre-se um espaço diferente, um espaço no qual vocês não podem apoiar-se sobre qualquer marcador, sobre qualquer experiência passada e sobre qualquer projeção de um ideal ou de um objetivo.
O Silêncio esvazia-os de seu efêmero, ele pacifica o Face a Face e os faz descobrir, na solidão, a plenitude e a multiplicidade.


O Silêncio propicia uma acuidade e torna tangível, em seu mundo, sua eternidade.
No silêncio interior, a consciência não tem mais desejo nem vontade de agarrar-se a qualquer manifestação que seja.
Paradoxalmente, o Silêncio revela-lhes sua Essência, anterior a toda manifestação e, no entanto, em seu mundo, nessa Terra, faz manifestar, por ela mesma e para ela mesma, a Luz e o Amor.
Não há, propriamente ditas, regras ou técnicas para observar, mas existem, entretanto, elementos facilitadores ao aparecimento do silêncio interior; isso lhes foi longamente explicitado, em especial, no papel do observador.
O silêncio interior propicia a paz e a alegria sem esforço.


Esse silêncio interior pode ser percebido pela pessoa, e o corpo que o vive, como um buraco negro no qual não há qualquer marcador possível, no qual não pode existir a mínima demanda, o mínimo objetivo.
O Silêncio acompanha a revelação do instante presente.
Progressivamente e à medida que esse silêncio interior crescer em vocês, pela repetição dessas sequências de silêncio interior, emergirá, do Coração do Coração, a Graça em ação, visível, perceptível e sensível.
O silêncio interior não pode ser obtido lutando contra seus próprios pensamentos ou contra seu próprio mental, ou contra suas próprias emoções.
O silêncio engloba tudo isso, ele é, aliás, o suporte das emoções, dos pensamentos e do corpo.


Esse silêncio interior vai amplificar, na paz, o Face a Face.
É, portanto, o momento no qual a consciência não pode agarrar-se a qualquer identidade, a qualquer história, a qualquer lugar, a qualquer suposição.
Chegar a isso pode ser facilitado por técnicas muito simples, que vão, de algum modo, favorecer a eclosão do silêncio interior.


O primeiro modo é voltar a inclinar-se no que eu pude dizer, há numerosos anos, concernente à resposta do Silêncio.
O próprio Verbo, que está no começo, baseia-se no Silêncio.
O silêncio interior, quando aparece, vai dar uma densidade, um peso ao Amor e à Luz, e torna-os palpáveis.
Respirar, por exemplo, e estar consciente de sua respiração, é uma boa ajuda.
Portar sua própria consciência no Nada ou canto da alma percebido em seus ouvidos pode ser, também, um vetor importante, que permite ao Silêncio aparecer.


Um segundo ou um terceiro modo de favorecer o silêncio é realizar uma forma de investigação, de que eu já havia falado em minha vida como em minhas intervenções – e que foi, também, evocada por Bidi – vai consistir em executar à noite, na posição deitada e, portanto, antes do sono, investigar, ao invés de fazer uma retrospectiva de seu dia que acaba de escoar, não para julgá-lo, não para apreciar as felicidades ou as dores, mas, simplesmente, para preparar seu sono para ser fonte de Silêncio.
No Silêncio há evidência da Luz e do Amor.


O silêncio interior acompanha-se de uma imobilidade percebida, tanto do corpo como do pensamento e das emoções.
Se emoções e pensamentos chegam, eles ficam como suspensos e fora do tempo.
Isso constitui as premissas do silêncio interior.
O silêncio interior permite-lhe aumentar a paz que você já tocou por experiência, por momentos ou de modo mais duradouro.
O Silêncio alimenta, também, a espontaneidade e a simplicidade, elas o tornam disponível – disponível a si mesmo, além de qualquer pessoa.
O Silêncio conduz, de maneira natural, à extinção dos jogos da consciência, o que lhe dá, talvez, a ver esses jogos, mas não o leva a eles.


No silêncio interior, a revelação e as manifestações da consciência aparecem pelo que elas são, mas não implicam o movimento de sua consciência nessas manifestações da vida e da consciência.
Silêncio e imobilidade caminham juntos.
Eles dão, de algum modo, uma base firme para a Luz e para o Amor que não são, então, condicionados nem por qualquer resultado, nem por sua história, nem por qualquer objetivo.


O Silêncio concorre, portanto, para estabelecer a visão do Coração, a visão sem ver, na qual nada tem necessidade de ser visto, justamente, porque tudo é evidente.
O silêncio interior dá-lhe acesso às engrenagens da própria consciência, que desemboca em uma paz maior e um equilíbrio maior.
Isso lhe dá uma base no coração, em seu ser eterno.


… Silêncio…


No silêncio interior, tudo pode ser visto em suas engrenagens e seus mecanismos, não, unicamente, da consciência, mas, também, o que é nomeado de emoção, pensamento e mental.


O Silêncio, enfim, é o estado adequado no qual a Luz pode circular livremente, atravessá-lo e ser emitida a partir do Coração do Coração.
Em definitivo, o silêncio interior extirpa-o, literalmente, dos sofrimentos efêmeros ligados à atividade das estruturas efêmeras.
Esse silêncio interior estabilizará, enfim, tudo o que pode parecer-lhe sofredor no interior de sua pessoa – que você não é.
As estruturas efêmeras que os constituem nesse mundo no qual vocês ainda estão encarnados existem apenas pelo jogo do Yin e do Yang ou, se preferem, das forças alternantes da dualidade, quer seja na escala do átomo, da célula, dos órgãos, dos corpos sutis ou, ainda, da própria consciência.


É, justamente, na imobilidade do silêncio interior, que os jogos da consciência aparecem-lhes, com mais nitidez, pelo que eles são.
Os jogos da consciência são, de fato, apenas movimentos de vai e vem, movimentos que permitem ver-se, a si mesmo, nos jogos da Criação, qualquer que seja essa criação, original ou falsificada.
O Silêncio é, portanto, a solução para o alvoroço dos pensamentos, das emoções e das interações com esse mundo, que põe fim, assim, ao jogo de vai e vem que abole, portanto, toda distância entre as noções de exterior e de interior.
É nesse silêncio que se produz a alquimia do masculino e do feminino ou das forças antagonistas e complementares.


Eu poderia dizer, também, que, em certa medida, o Silêncio é a antecâmara do Absoluto.
É a experiência que um número sempre mais importante de irmãos e de irmãs humanos encarnados nesse mundo vive, em graus diversos, quando de experiências transcendentes ou experiências de morte iminente: após o túnel, após o reencontro de formas que foram importantes em suas vidas, após a travessia da luz do Sol, há o que está além da Luz – é o Silêncio, o Absoluto.


O Silêncio é, certamente, uma das últimas percepções que podem manifestar-se na consciência expandida.
O Silêncio vai permitir-lhes magnificar a escuta e o acolhimento de tudo que emerge, de vocês ou em vocês.


Assim como o afluxo de Luz é capaz de regenerar e de curar o que deve sê-lo, o Silêncio assinala a rendição do efêmero à Eternidade.


No silêncio interior vocês fortificarão o eixo vertical da coluna vertebral e darão uma base à emergência da Luz em seu mundo e em sua encarnação.


… Silêncio…


Nesse silêncio interior, vamos instalar-nos, juntos, sem objetivo e sem finalidade do que, simplesmente, ser, não, unicamente, onde vocês estão, mas em cada consciência, como em cada ponto dessa Terra e do universo, com a mesma clareza e a mesma precisão.


E aí, onde nada mais há a ver nem a perceber, a identidade de ser uma pessoa funde-se no ser, o que deixa aparecer a própria fonte da consciência.


… Silêncio…


No silêncio interior, o jogo da dualidade não pode manter-se e não pode perturbar sua pessoa.


… Silêncio…


No silêncio interior, o silêncio das palavras não está presente, porque as palavras espontâneas apoiam-se nesse Silêncio.
Então, a língua dos anjos pode ser emitida, do mesmo modo que a Fonte ou o Último fizeram-no.


… Silêncio…


No silêncio interior, o sentido de ser uma pessoa aparece, realmente, pelo que ele é: uma ilusão.
No silêncio interior, o Amor desvenda-se e revela-se em vocês, como no mundo.


… Silêncio…


No silêncio interior, o Fogo vibral torna-se sua fonte principal de sua vida.


Paralelamente, esse silêncio interior vai prepará-los, da maneira a mais adequada, para viver o Evento.
Retenham que no silêncio interior não é necessário, mesmo se seja útil, fazer o silêncio das palavras.


No silêncio interior, a conexão ao Coração do Coração aparece-lhes, o que realiza, de algum modo, em vocês, uma invulnerabilidade incondicionada, que não depende de nada nem de ninguém.


No silêncio interior, o que pode restar, em vocês, de impulsos, de obsessões, de freios, desvanece-se por si só.
Vocês observarão, aliás, se já não foi feito, que, em algumas circunstâncias a atravessar na pessoa que vocês são – na aparência – nesse mundo, o Silêncio é uma grande ajuda, porque ele deixa lugar para a Luz e para Sua Inteligência.


… Silêncio…


Assim é o silêncio interior, no qual tudo é resposta, no qual tudo é Um.


… Silêncio…


No silêncio interior, enfim, instala-se a Morada de Paz Suprema.


… Silêncio…


Aí estão, portanto, as algumas palavras e os alguns silêncios que eu tinha a dar-lhes sobre o silêncio interior.
Eu saúdo e abençoo sua Presença, ao mesmo tempo permanecendo com vocês ainda alguns instantes, onde quer que vocês estejam, no silêncio interior ou às suas portas.


… Silêncio…


Eu sou Mestre RAM, permitam-me depositar, em seus corações, nossa comunhão Una, e eu saúdo sua beleza e sua eternidade.

Até mais tarde.





Tradução Célia G: http://leiturasdaluz.blogspot.com.br/2016/04/ram-o-silencio.html

Publicado por:
Blog: Les Transformations